Cris
Não sei se a moda já chegou aí no Brasil, mas aqui na Austrália só se fala de maquiagem mineral. Tudo é mineral agora: pó, sombra, base, blush, batom, gloss...
Dizem que os benefícios dos cosméticos minerais são inúmeros. Não possuem talco, nem fragrância, e tampouco obstrui os poros. Dependendo do mineral, ajuda a deixar a pele mais bonita e iluminada, podendo reduzir vermelhidão e até ajudando na acne.
Eu, como andava com as maquiagens velhinhas por aqui, resolvi comprar o pó mineral da Revlon, que estava com um preço razoável considerando a qualidade da marca.
Vou confessar, não gosto muito de usar pó. Sinto a pele "bloqueada", parece que tem uma pasta grudada no rosto. Qual foi minha surpresa ao usar esse pó. Adorei! É super leve, tem protetor solar, uniformiza a pele, esconde pequenas imperfeições. Toda vez que saio na rua agora uso o pó. Primeiro passo meu protetor solar, que já tem um tom de base, bem clarinho. Por cima, o pó, que ajuda a proteger a pele dos raios solares, principalmente.
Fica aí a dica para quem, como eu, não é muito fã de sentir como se estivesse com um "reboco" no rosto. É muito bom mesmo.
Cris
Ontem estava assistindo ao programa da Oprah (aproveitar enquanto ela ainda tá lá) e o tema era "Back to the Basics", que nada mais era do que tentar resgatar os verdadeiros valores nas pessoas.
Eu peguei o programa pela metade, mas a idéia foi trabalhar com diversas famílias, americanas, consumistas até o último fio de cabelo, sua volta a uma vida mais simples e com valores que realmente importam para a vida, como a convivência familiar, o diálogo, a simplicidade, o amor e a diversão em momentos que não exigem dinheiro ou tecnologia.
O grande desafio de uma das famílias era ficar sem computador (leia-se sem internet) por uma semana, caminhar até à escola (DUAS quadras), não fazer compras que não fossem perecíveis (a dona da casa tem um estoque na despensa que dura por um ano). As crianças deveriam escolher 5 brinquedos, entre as centenas que possuem, e brincar com eles durante toda essa semana. A família deveria fazer as refeições unida e deveria utilizar o tempo para conversar.
Como pode-se imaginar, a primeira semana foi uma revolta total. À medida que as semanas evoluíam e novas tarefas surgiam, a família foi absorvendo com maior satisfação e percebendo que eles não estavam sendo punidos e sim trocando um estilo de vida vazio por uma vida com maior qualidade em si.
Um dos pontos que achei muito interessante foi que a dona da casa ficou responsável de fazer uma doação para uma família de refugiados que estava chegando na cidade. Esta família morava numa casa do "governo" (um tipo de casa popular, acho), num bloco de apartamentos com outras 10 famílias.
Uma das reivindicações das famílias era que elas conseguissem um aspirador de pó, cujo uso seria divido entre as 10 famílias. Nesta altura, a dona da casa começou a explicar quantos aspiradores ela possuía, um para cada andar da casa e para cada tipo de sujeira. Parece que a ficha caiu, ela possuía 4 aspiradores, enquanto as 10 famílias só esperavam por um.
Outra família, uma mãe com dois filhos, mudou completamente o estilo de vida após o divórcio do casal. Eles possuíam tudo que o mundo moderno considera como sucesso: uma casa grande, sócios de clube, tecnologia inimaginável, bons empregos. Mas, mesmo assim, a mãe se sentia vazia. Entrou em depressão profunda e, por 3 meses, não saiu da cama. Até que descobriu que o precisava era uma vida de verdade, com valores de verdade. Hoje ela divide o chalé de um quarto com os dois filhos, no meio de um bosque qualquer nos EUA.
Isso me fez pensar que muitas vezes falamos da boca para fora que não damos importância ao nosso status e nossa condição materialista. Quanto tempo conseguimos ficar sem passar numa lojinha e comprar uma peça de roupa? Por que nos importamos tanto com o modelo de carro que vamos comprar e se ele vai servir para uma família maior ou não. Por que alugamos apartamentos de dois quartos para um casal? Por que trabalhamos tanto, por que poupamos tanto? Por que não conseguimos passar um dia sem ligar o computador e ver se alguém nos mandou um e-mail? Por que nossos amigos no Orkut ou Facebook são mais numerosos que os amigos de carne e osso? Tantos porquês, com respostas fáceis, mas doloridas.
Por isso, fico aqui pensando, o quão simples eu consigo ser na minha vida?
Cris
Como diria lá nos pampas, "louco como galinha agarrada pelo rabo". Surfar no Arroio Dilúvio?
Para quem não sabe, o Arroio Dilúvio corta a cidade de Porto Alegre e é considerado um dos afluentes mais poluídos da cidade. Com as chuvas dos últimos dias dois malucos resolveram surfar no Dilúvio...

Li na Zero Hora que eles tomaram vermífugo depois. Como se adiantasse...
Cris
Quem estiver interessado em papo de mulher fique por aqui então, pois o papo é beeem longo.
Semana passada falei aqui mesmo que estava fazendo uns exames e coisa e tal. Pois bem, vou falar um pouco da experiência que tive, de uma coisa simples que já havia feito no passado, mas que foi horrível desta vez.
Veja como é a saga de uma usuária do sistema público de saúde na Austrália. Para mim, não tem muita coisa melhor do que o SUS no Brasil.
Em setembro, isso em setembro, eu fui ao clínico geral para conseguir prescrição de anticoncepcional, pois aqui você só compra este tipo de coisa se tiver receita. Aproveitando que já estava por lá, pedi para ela fazer meu papanicolau (ou preventivo). Aqui qualquer clínico geral faz o papanicolau. Não examina nada, mas pelo menos faz a coleta do material, que já algo bem importante. Um detalhe, o papanicolau aqui é para ser feito de dois em dois anos. Eu sempre fiz de ano em ano e consegui fazer o exame, pois acho que era minha "primeira vez" fazendo esse exame nas terras australianas.
Uma semana depois a médica me liga. Todo mundo odeia este tipo de ligação do consultório, que diz assim "a doutora precisa te ver". Lá fui eu, imaginando o que esperar. Falando com a doutora, ela me disse que o resultado do preventivo mostrou alterações que sugeriam NIC II ou NIC III (resumindo, displasias ou alterações de graus diferentes). Ela não soube me explicar nada mais e disse para procurar um ginecologista.
No outro dia mesmo fui no hospital do meu bairro, para marcar a colposcopia, para averiguar o que anda acontecendo por aquelas bandas. Fui atendida por um ser completamente desanimado, que não conseguiu ler meus dados na carta de referência e pediu para eu escrever todas minhas informações de novo. Depois me disse que era para voltar para casa e esperar pela carta do hospital, indicando o dia do exame.
Recebi a carta uma semana depois, informando que o exame foi marcado para 18 de novembro. Isso mesmo, esperei dois meses para conseguir fazer o exame, que a clínica geral havia classificado como urgente.
Na última quarta-feira fui lá fazer o exame. Já havia feito uma vez no Brasil e havia sido super tranquilo. Um pequeno desconforto, mas nada mais.
Chegando no hospital, fui atendida por uma vaca na recepção. A recepção daquele hospital é um horror, um lixo. Me fez perguntas resmungando pela boca fechada. Perguntou se era aborígene (tá bem na cara que sou...) e qual minha opção religiosa (pensei na extrema unção - hehehe). Mandou eu esperar num canto e logo fui atendida.
A médica que me atendeu era bem normalzinha até. Falava muito rápido e baixinho, tive que fazer um esforço grande para entender o que ela estava me dizendo. Me apresentou uma estudante de medicina que iria "acompanhar" o exame. Logo de cara, foi dizendo que o procedimento que iria fazer era desconfortável. Disse para ela que estava tranquila, que já havia feito uma vez e sabia como era. Começou a falar dos possíveis diagnósticos e falou que o tratamento seria sim beeeeem desconfortável, mas daí cortou o assunto dizendo que mais tarde se falaria nisso. Achei super animador. Perguntou se eu tinha alguma pergunta. Disse que sim, se essas alterações sempre estavam relacionadas à HPV e por que em lugar nenhum havia aparecido que tenho isso ou não. Ela disse que sempre está relacionado e teria que investigar mais para saber se tenho o vírus. Ok, pensei que com o exame ela veria isso. Ledo engano.
Fui lá, botei o avental lindinho e disse que estava pronta. A médica e a estudante chegaram com o aparato e começaram os trabalhos. Quem começou foi a estudante, que inseriu o espéculo, com toda a vontade do mundo. A mulher parece que me atravessou no meio. Me senti empalada. De cara eu vi que ela me machucou, pois estava acompanhando todo o procedimento, entre gazes e chumaços de algodão percebi que comecei a sangrar antes de qualquer procedimento. A estudante ainda fez outro exame prevetivo e ficou perguntando para a médica como colocava o material na lâmina. Eu sei que os médicos para virarem médicos tem que praticar, mas por que eu?
Depois a doutora colocou a mão na massa, usando vários pincéizinhos e escovinhas. Cada um desses brinquedinhos fazia eu ver estrelas de tanta dor. Daí que ela começou o exame em si. Colocou ácido acético, ou vinagre, e daí queimou tudo que já estava machucado. Depois disso até que ajudou, pois eu só sentia a queimação. Depois de uns 15 minutos de fisgadas, cólicas e queimação, ela chegou à conclusão que teria que fazer biópsia. A essas horas, se ela quisesse fazer uma cirurgia sem anestesia eu já topava, pois tudo doía. Ela fez a biópsia colocando uma agulha de ponta bem grossa, pediu para eu tossir e pronto. Não senti nada disso, só vi um grãozinho do meu útero no vidrinho. Mais uma tossidinha, outro pedacinho. Um remedinho para parar de sangrar e tirar aquele troço horrível do espéculo. Doeu até para sair. Descendo da mesa de exame, vi tanto sangue, fiquei impressionada. Havia sangue na mesa, no chão, no avental. Surreal.
Eu nunca havia passado por uma sessão de horrores como essa por uma coisa tão simples quanto esse exame. Achei que esses 20 minutos foram duas horas.
No final, ela me disse que não pode me dizer nada até que venha o resultado da biópsia. Disse que não parece câncer (segunda vez que escuto isso esse ano - credo) e que tenho que esperar. Daqui a TRÊS semanas eu ligo para ela para ela me dizer o resultado. Antes de sair, me deu um potinho e disse para eu mijar dentro dele. Perguntei onde levar e ela me disse para falar com a mulher da recepção. Nããão!
Fui no banheiro, fiz pipi no potinho, botei num saco plástico com uma etiqueta com meu nome e fui falar com a vaca de novo. Perguntei onde deixar e ela me perguntou "o que é isso?". Eu disse "xixi" e "tô com vontade de atirar na tua cara", pensei. Resmungou algo "fim do corredor". Descobri que se deixa numa caixa, cheinha de envelope de xixis, e vai embora.
Fui para casa querendo nunca mais voltar naquele lugar. O pior é ter que esperar o resultado e ficar à mercê da doutora e sua aprendiz novamente. Espero que a aprendiz tenha dia de folga quando aparecer por lá de novo.
Quando cheguei na rua, lembrei que esqueci de perguntar sobre os cuidados pós biópsia. Nem isso ela me falou. Nada. Pesquisando depois, vi que leva até uma semana para cicatrizar e que nesse tempo deve se evitar sexo, o uso de tampões, natação e qualquer coisa que possa atrasar a cicatrização. Santa internet! E pior que esse final de semana fez 41 graus e eu aqui seca esturricada, só escutando os vizinhos na piscina. Humpf.
Agora é esperar três semanas. Se tiver que fazer tratamento, imagino que vou ter que entrar na fila de espera de novo. Por um lado é bom, se a médica achar que não é urgente, senão vou perder meu verão de 40 graus se recuperando de um procedimento que impede natação e outras coisas mais por 6 semanas!
Com tudo isso, hoje estou aqui, de pernas para o ar. Não quero limpar banheiro, não quero passar aspirador, não quero me esforçar. A casa está completamente em ordem, então eu vou é cuidar de mim e me recuperar do trauma. hehehe
Cris
"Faço amizades fácil", é o que muito se escuta por aí. Daí bate aquela pontinha de inveja, de frustração. "Puxa, o cara é tão descolado, tão descontraído, tão aberto, tão disponível, consegue fazer amizades com uma facilidade."
Gostaria de saber, nesse mundo de amigos fáceis, quantos sabem o nome do teu pai e mãe. Quantos sabem tua cor preferida, a comida que detesta, o primeiro namorado, o primeiro fora, o primeiro beijo. Quantos já viram lágrimas e sorrisos, quantos já participaram de programas chatos e sem graça só porque estavam contigo? Quantos amigos te convidaram para padrinho, de casamento, dos filhos, das novidades? Quantos já te ligaram quando precisavam apenas conversar ou precisavam de uma visita? Quantos te pediram conselho, mesmo sabendo que conselho, sendo de graça... Quantos segredos já foram guardados? Quantas verdades já foram ditas? Quantos te escutaram sem interromper, escutaram com interesse verdadeiro? Quantos você já escutou com interesse verdadeiro?
Amigos não são tão fáceis de fazer. Requer tempo, dedicação e abertura. Você pode ter duas mãos cheias deles, mas com certeza essas duas mãos estiveram abertas e prontas para acolher por muitas vezes.
Eu faço amizades fácil, mas essa facilidade precisa de tempo, de crescimento e cuidados. Devido a essa facilidade de ser amiga dos meus amigos, de amá-los tanto, nunca senti tantas saudades deles quanto agora. Acho que estou precisando dedicar, o que quer que seja, para acabar com essa falta que eles fazem, para parar de olhar as fotos com olhos de saudades. Acho que preciso sentí-los no coração, dedicar um tempo para sua importância em minha vida. Amigo, estou aqui pensando em você. Fica com Deus.
Cris
A semana vai ter algumas novidades.
Depois de um final de semana maravilhoso, com muito calor, praia e descanso, a semana já começou de novo! Nem deu tempo de notar onde vão as horas, dias após dias... Só sei que tudo segue seu curso.
Esta semana tenho que enfrentar algumas situações que já estava ansiosa para enfrentar. Vou fazer um exame na quarta, mas só conto o que foi depois que der o resultado. E não é gravidez, viu?
Eu tenho pensado se eu ando somatizando coisas aqui na Austrália (se sim, o que é?), se o clima e condições de temperatura e pressão influenciam ou é a idade mesmo que tem trazido probleminhas que antes nem imaginava em ter. Pode ser ainda um outro fator, os médicos brasileiros serem mais relapsos, mas não acredito nisso. Ainda não cheguei a uma conclusão.
Enquanto espero, toco essa minha nova vida que tenho por aqui. Cuido da casa, das minhas coisas, minhas novas paixões, meus projetos, tudo na maior calma. Às vezes, calma até demais. Mas não vou atropelar nada. Ano que vem tá aí e é logo aí que quero fazer algumas coisas novas, que exigiram meu tempo e planejamento. Enquanto isso, estou tentando viver na cultura "carpe diem"
Cris
Preciso colorir este blog, renová-lo, animá-lo. Está tão abandonado. Assim como devem estar abandonados os pensamentos mais profundos, algo mais importante do que apenas descrever e verbalizar.
Não quero perder este lugar que era para ser meu, para ser compartilhado. Nem sempre é fácil ter um lugar seu em que todos possam testemunhar. Por isso o silêncio, a verborragéia que nada traz. Parece mais fácil do que a desnudez. Mas vou tentar, sei que tenho muito a compartilhar, nem que seja bom humor.
Para brindar esta nova tentativa, um layout diferente, uma colorida, uma renovada, uma sacudida de poeira. Vejo vocês daqui a pouco...